19 November - a very special day (story #1)

 

(Portuguese version)

 

Hoje fazia anos o meu Avô Mendes.

 

E por isso mesmo quis que a história de hoje fosse com ele e sobre ele.

 

O meu Avô Mendes é o meu avô materno. Tive a oportunidade de passar uns belos 10 anos com ele a construir memórias, das que já vos falei. Contudo, nenhuma delas, que me lembre, aconteceu à mesa.

 

Apesar disso, a minha mãe, os meus tios e a minha avó fazem questão que o meu avô continue à mesa connosco. Entre outras pequenas coisas, perpetuando a sua receita de caracóis, que com certeza vos digo que foram e serão os melhores caracóis que alguma vez comi ou que comerei em toda a minha vida.

 

No entanto, eu, que só o conheci por 10 anos, descobri que há uma coisa que ele nos deixou a todos, sem excepção.

 

Os almoços da família são sempre muito agitados, barulheiros, entusiasmados e alegres. Começam com aperitivos e terminam, invariavelmente, num banquete de sobremesas. E vos garanto que não houve uma única vez em que o almoço, só por si, fosse aborrecido. Não há uma única refeição familiar, seja em casa da avó ou de um dos tios, em que ninguém faça pedidos especiais, ou se pergunte com antecedência o que se vai comer, ou que quem cozinhe não o faça com um extremo primor e vontade de impressionar.

 

Há quem lhe chame ser de “boa boca”. Pois eu chamo-lhe ser Mendes. Porque segundo reza a “lenda”, o Avô Mendes era assim. Gostava de se sentar à mesa, rodeado pela família, desfrutando do que a avó ou algum dos meus tios punha na mesa.

 

Tenho uma memória, bem viva, como se tivesse sido ontem, de ir no comboio, de mão dada com o meu Avô Mendes, de o ver meter conversa com toda a gente, sempre pronto a contar uma piada, sempre pronto a cantar-me uma música. Sim, o meu Avô tinha uma voz de tenor e cantava maravilhosamente bem. Cantava arias, boleros, canções napolitanas, entre outras. Mas sobre este assunto, o meu tio mais velho ficou de me contar uma história.

 

Tenho memória do meu Avô ser um contador de histórias.

 

E nós somos assim. Sou eu, é a minha mãe, são os meus tios, o meu primo mais velho e até mesmo os meus primos mais novos, que não tiveram a enorme sorte de o conhecer. Gostamos de conversar com toda a gente, gostamos de cantar, gostamos de ouvir e de contar histórias, gostamos de nos juntar à volta de uma mesa.

 

Mas eu só convivi com ele 10 anos e houve memórias que não tive a oportunidade de criar. Por isso, e porque o objectivo deste blog é contar histórias, vou partilhar, durante a próxima semana, as histórias de quem o melhor conheceu para que possa fazer minhas as suas memórias.

 

Até 3a feira,

 

Inês

 

(English version)

 

Today would be my Grandfather Mendes’ birthday.

 

And for this reason I wanted today's story to be about him.

 

My Grandfather Mendes is my mother’s dad. I had the opportunity to spend 10 good years with him, building memories, those of which I have already told you. However, none of them happened around the table.

 

Despite this, my mother, my uncles and my grandmother make sure my Grandfather is amongst us at the table. Among other things, by perpetuating his snails’ recipe, which I assure you are the best snails I've ever eaten or will eat in my entire life.

 

However, I, who only knew him for 10 years, discovered that there is one thing that he has left us all, with no exception.

 

Our family lunches are always very hectic, lively and cheerful. They begin with appetizers and end, invariably, with a banquet of desserts. And I can assure you that there wasn’t a single time when we had a “boring” meal. There is not a single family meal, either at my grandmother's or one of my uncles’ house, where no one makes special food requests, or asks in advance “what are we going to eat?”, or that those who cook do not do it with a desire to impress.

 

Some people may say that we simple are people that like to eat. Well I call it to be a “Mendes”. Because according to the “legend”, my Grandfather Mendes was like that. He liked to sit at the table, surrounded by his family, enjoying what my grandmother or one of my uncles had made.

 

I have a memory, very alive, as if it were yesterday, to go on the train, hand in hand with my Grandfather Mendes, to see him talking to everyone, always ready to tell a joke, always ready to sing a song. Yes, my Grandfather had a tenor voice and sang beautifully. He would sing arias, boleros, Neapolitan songs, among others. About this, my eldest uncle promised that, one day, he would tell me a story.

 

I have memory of my Grandfather being a storyteller.

 

And we are all like this. It's me, it's my mother, my uncles, my oldest cousin and even my youngest cousins, who didn’t have the chance to know him. We like to talk to everyone, we like to sing, we like to listen and tell stories, we like to gather around a table.

 

But I only lived with him for 10 years and there were memories that I didn’t have the opportunity to create. So, because the purpose of this blog is to tell stories, I will share during the next week the stories of those who knew him better and therefore make mine their own memories.

 

"See you" on Tuesday,

 

Inês

 

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

RECENT POSTS
Please reload

SEARCH BY TAGS
Please reload

ARCHIVE
Please reload

© 2017 by The Food, Family and Friends Stories Blog.

Proudly created with Wix.com

  • Facebook - White Circle
  • Instagram - White Circle